Bate-papo gratuito: Arte, artivismo e pandemia | ONLINE E AO VIVO | 27/04

Guerrilla Girls

Data: 27 de abril de 2020
Horários: segunda-feira, às 18h – Horário de Brasília

Público-alvo: artistas e entusiastas, curadorxs de arte, comunicadorxs, designers, arquitetos, museólogos e estudantes

Inscrições

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. O bate-papo é gratuito e será realizado através da plataforma Zoom.
. Dúvidas? Entre em contato através do e-mail cursos@f508.com.br

Programa

No dia 27 de abril, às 22h (horário de Lisboa), o f/508 Lisboa e o f/508 Brasília convidam a todos para participação na roda aberta de conversa “Arte, artivismo e pandemia”, onde Camilla Ceylão (comunicadora de causas e entusiasta) e Renata Azevedo Moreira (pesquisadora e curadora de arte) contam com a mediação de Monica Nassar (artista e sócia administradora do f/508) para um debate sobre as formas que o artivismo pode tomar em tempos de coronavírus, discutir as contribuições sociais do engajamento político da arte e de que formas a arte nos ajuda a enxergar o mundo de maneira mais crítica.


Em seus ensaios sobre Arte Relacional, Nicolas Bourriaud coloca, como uma das grandes contribuições da arte contemporânea, a perspectiva da obra de arte como agregadora e do museu como lugar de interação. Existe cumplicidade nos olhares que se doam à compreensão da obra aberta e o ato de se compartilhar o mesmo espaço/tempo se reverbera em memória restrita àqueles que puderam se fazer presentes. 

A contemporaneidade nos introduz mais um celeuma no mundo da arte: o artista, despido e liberto da técnica, que (ainda no caráter relacional) assume o compromisso com o engajamento coletivo, a complexidade das participações sociais e seus confrontos com forças governamentais e corporativas, e, na década de 60, no Brasil, autoritarismo. 

O termo “arte ativista” foi criado pelo coletivo norte americano Art Ensemble” em 1996, utilizado para definir artistas que se utilizavam de tecnologias e mídias diversas para desenvolver contribuições sociais. Mais tarde, em 2003, Juliana Monachesi publica um artigo na Folha de São Paulo chamado “A explosão do A(r)tivismo”, citando Cildo Meireles, Helio Oiticica e outros artistas. 

O aspecto relacional da arte, nesse momento, depende diametralmente dos dispositivos de comunicação. Não passa despercebida a profusão da arte politicamente engajada nos anos 90, contígua a popularização da nossa tão conhecida (e talvez mais necessária que nunca) internet. 

O ano é 2000 e esse vai ser o meu ano 20. Uma pandemia continua a se alastrar no mundo. Estamos lidando com a interdição dos pontos de encontro sociais, os famosos “nós” urbanos, e dependendo ainda mais da formatação virtual das relações. O presente carrega consigo uma série de incertezas. Estamos sem prazos para soluções e muito menos para o fim. O cenário pode ser desanimador para aqueles que ainda não perceberam que estamos moldando o que vem a seguir. Há uma latente necessidade de adaptação do “fazer”. Nós, artistas, estamos nos deparando, ainda mais enraizados na rede de computadores interligados, com a possibilidade de formatarmos os novos espaços de arte, novos engajamentos, novas participações sociais. 

HOUSTON, TX – DECEMBER 16: Conceptual artist Nadezhda Tolokonnikova (C) of Pussy Riot performs onstage during Day for Night festival on December 16, 2017 in Houston, Texas. (Photo by Rick Kern/WireImage)

Participantes

Renata Azevedo Moreira é jornalista, pesquisadora e curadora de arte. Doutoranda em Comunicação pela Universidade de Montréal, Renata estuda o diálogo estabelecido entre o gesto curatorial e a obra de arte especialmente no caso das mídias digitais. Em sua visão, o projeto artístico torna-se obra a partir das relações que estabelece com sua exposição, e a obra de arte é mais bem compreendida como um processo construído ao longo do tempo do que como um objeto singular e fixo. Além dos textos acadêmicos, Renata publica resenhas de exposições em sites e revistas de arte canadenses, como Baronmag.com e Esse Arts+opinions, participando também de comitês de programação e conselhos de administração dos centros de artistas Skol e Studio XX em Montréal. Atualmente, ela trabalha como coordenadora de comunicação e programação paralela da galeria Arts Visuels Émergents (galerieave.com).
Seu artivismo se manifesta principalmente na orientação feminista e queer de suas intervenções artísticas. Na exposição coletiva Femynynytees, realizada em 2018 em Montréal, ela convidou artistas a repensarem o que significa ser ou ter um corpo feminino em um contexto em que o sexo biológico não determina mais o gênero de uma pessoa. No mesmo ano, Renata coordenou a programação do festival feminista de novas mídias HTMlles, também em Montréal, com uma exposição coletiva na temática pós movimento #metoo chamada Beyond the Hashtag: Failures and Becomings. Em épocas de confinamento, Renata tenta manter a sanidade mental com práticas diárias de ioga e tarô entre uma página e outra da redação de sua tese – mas ela também tenta aceitar que está tudo bem não ser tão produtiva assim neste momento.

Camilla Ceylão é feminista, comunicadora de causas e entusiasta da arte e cultura. Sua trajetória profissional é diversa e inclui experiência em diferentes áreas e em todos os setores, incluindo governo, empresas e organizações da sociedade civil.
A paixão por arte e cultura a acompanha desde cedo, assim como a atuação guiada pela defesa da justiça social e dos direitos humanos. Atualmente ela trabalha com comunicação de causas em uma OSC, a Nossa Causa, e é responsável pelo marketing de uma agência movida por causas sociais, a BeCause. 
Camilla descobriu o termo artivismo quando um artista a identificou como “artivista” após ouvir sua apresentação. Desde então, ela passou entender melhor a conexão entre seu trabalho e seu hobbies – entre comunicação, política e arte. 
Ela ainda não se considera uma artivista, mas se sente lisonjeada por ter sido reconhecida como tal.

Mediadora

Monica Nassar graduou em Arquitetura e Urbanismo no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), em 2012. Em 2013, finalizou o Curso Profissionalizante de Fotografia, no Espaço f/508 de Fotografia, em Brasília. Mudou-se para a cidade de São Paulo, em 2014, onde começou a atuar como pesquisadora em produtoras audiovisuais, entre elas a Academia de Filmes, GOS Catala Filmes, Your Mama, Sentimental Filmes e outras. Atuou também como Diretora de Arte, realizando campanhas para agências como F.biz, NBS, Ogilvy e África. Cursou Cenografia na Escola São Paulo, onde produziu em coletivo o projeto ViroRio, que foi exposto na Quadrienal de Praga de Cenografia e Performance, em 2015, mesmo ano em que participou da equipe de pesquisa da exposição do multiartista Tadeu Jungle na Sala do Humano do Museu do Amanhã. Usou suas habilidades multidisciplinares para compor equipes nas mesas independentes da Mesa e Cadeira, trabalhando com os ciborgues Neil Harbisson e Moon Ribas na construção do WeTooth, o primeiro aparelho de comunicação intra-dental do mundo (contemplado no Guinness World Records 2020), em 2016 e com o fundados do Kickstarter, Perry Chen, na publicação do livro “A bridge to a bad star” sobre o desastre de da base espacial de Alcântara, no Maranhão. No ano de 2017 completa a sua pós graduação em Cenografia e Figurino, na Universidade Belas Artes de São Paulo, onde produz o aplicativo Adelaide, para mapeamentos de roteiros e gestão de projetos criativos. Retorna para Brasília, no ano de 2018, para participar efetivamente da sociedade no Espaço f/508 de Fotografia, onde atua na gestão de projetos criativos. Em 2019, participou pela segunda vez da Quadrienal de Praga de Cenografia e Performance, na temática “novas técnicas dentro da cenografia”.